10 de maio de 2020

Viver

Viver o que significa? Apenas existir? Subsistir? Trata-se de nunca desistir, a vida é injusta, cruel mas existem muitas coisas boas pela frente, e todos nós temos uma doença degenerativa e incurável chamada vida. Viver também cansa!! Trata-se de memórias! Memórias afetivas. Um domingo no parque, andar de barcas, o frango de domingo da vó acompanhado de macarrão e farofa, o seu cheiro, o engarrafamento, desembaraçar seus cabelos, ir sozinha para o hospital de madrugada, os temperos, o doce sabor do chocolate que derrete na minha boca, o mergulho nas águas gélidas da praia grande, acompanhada pela sensação do coração parado por alguns instantes. cada viagem, cada derrota, cada vitória, cada centavo, cada olhar de agradecimento ou condenação, os afagos, os afetos, os beijos não dados, os abraços apertados hoje tão ausentes, as histórias, as risadas, as muitas gargalhadas, os porres, os micos, a estrada, as lágrimas, os sons, o bem-te-vi que adentra na sala, o roçar do Chico, o olhar da Lolla, a laranja descascada, as renúncias, as conversas, o telefonema, Salomé uma saudade, um parâmetro, um sotaque, Bonito é lindo, mais saudade, do que vivi, do que não se viveu, da volta de moto, do por do sol, passaram os anos e estamos tão entrelaçados, como pessoas que se amam e querem a felicidade do outro, obrigada, por existir, por ser esse ser, doce, simples, humano, correto. Também são vivências, na forma mais límpida do meu ser. Retomo a vida, e quantos não, muitos sim, muitas escolhas, metas, desejos, sonhos, esperança, futuro, lembrança, infância, amigos de outrora, estão ali, distantes, em páginas, fotos, regados de suas histórias. 
    Volto ao vazio, hoje ele me transborda na busca constante de conhecimentos, de interesses tais, do novo, mas daquilo que o dinheiro não compra e ninguém pode retirar de mim, um novo trajeto, um caminho sem asfalto que se percorre de bicicleta sentindo o vento nos cabelos e o cheiro de terra molhada. Nesse momento não penso em nada, apenas sinto, apenas sou aquela pessoa que tento ser, e quiçá um dia consiga, mas por hora, por hoje me felicito, me falta o sono, não tenho fome, nem sede, não espero nada dos outros, nem mesmo as mensagens, me cerco de outras coisas, novos livros, novos sabores, novos lugares...
     Morro um pouco mais e mais a cada dia, posso morrer de amor que ninguém desconfia hahahahaha (Lulu) quanto mais percorro o caminho, maior é a vontade de continuar seguindo, tentando, sinto o perfume dos meus cabelos e há areia neles, sinal de felicidade plena em tempos de quarentena, paz em meio ao terror, dúvidas, incertezas, viver é assim, como um trem com várias estações, como o rio que corre, como aquela imensa fila para comprar duplin naquele país inusitado que eu nunca sonhei pisar, em alguns momentos tão fora da caixa, tão no mundo, em outros me estremeço e me fecho no meu mundinho que por algumas vezes me impediu de voar, por medo, decepção, fracasso, morte, não do corpo, mas da alma, das vivências que me impulsionam de tal forma que corro para um último beijo no fim do dia. E se? Me assombra, me assola, me faz recuar. Na dúvida, faça!!! Prefiro me arrepender dos meus excessos do que viver uma vida morna por nunca tentar. Me desafie! Me surpreenda! Me desarme! Me deixe sem resposta! Não sou previsível, portanto não seja. Quero tudo, quero toda essa ideia, quero mais do que o querer que já me deste, mas eu preciso de outros sapatos, de outras roupas, outros temperos, literalmente para continuar formando minhas ideias, meus objetivos, meus propósitos, minhas metas. Pode ir se quiser, mas eu prefiro que fiques, sem pretensões, sem expectativas embora muitas vezes eu tenha, eu nem sempre vou deixar claro, então entenda sinais, entenda minha subjetividade, faça a diferença, ou apenas seja mais um, no momento são números, equações mal formuladas e portanto mal resolvidas. É!!!! Viver também cansa, mas não vem ao caso deixar de viver, e sim fazer uma pausa mergulhada na inércia e no tédio de um dia qualquer, para que surjam novos sonhos, novas risadas, perdas, alegrias, tristeza, meu vestido de linho, unhas vermelhas, rosto sem maquiagem, um por do sol, uma praia em Búzios, um versículo, uma prece, a minha fé, a minha casa que hoje tanto se parece comigo, limpa e organizada, mas com algumas paredes quebradas, muitos reparos, peças faltando, coisas, pessoas, mais vida,mais cheirinho de café, mais reuniões regadas a vinho e altas horas, mais jantares e a gente se revesando para mexer o risoto, meus poucos amigos mas que movem céus e terra por mim, meus filhos, cada um no seu canto, uns longe, outros ausentes. Sim! Minha casa é regada de memórias, histórias boas e ruins, das quais eu me orgulho e  outras que tenho vergonha de contar. Viver também é assim. Como digo sempre, "um dia de cada vez" a cada dia suas dores e alegrias, seja grato pelo que viveu, olhe nos olhos, elogie, faça um cafuné para bagunçar os cabelos, não deixe que os ruídos internos te dominem, não pense muito, viva, mas viva para ser. Ser alguém melhor, ser leal, honesto, Ser alguém que seus filhos e netos possam se orgulhar de você, e ao contar suas histórias possam dizer que você soubeViver!                                                                                                                                               Agora posso dormir, transbordei um pouco do que há em mim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário