Amo o que eu faço!!! Amo a profissão que escolhi para chamar de minha. Amo ser ponte para que o outro atravesse esse rio chamado vida. Amo o processo construtivo que envolve alguém totalmente avesso a terapia e que depois com olhos cheios de lágrimas me diz: "obrigado doutora". Amo restaurar famílias embora acredite que a minha por diversas vezes encontra-se em pedaços. Mas logo surgem outros momentos, outras histórias e me percebo na mais completa paz. Somos estrelas perdidas no céu azul da constelação, somos mais um na multidão, somos versos que ecoam em Fix you, somos o grito mudo no ar, somos a luz na escuridão, corpos dormentes cansados de tanto esperar, somos vazio, solidão, abismo quando não temos a intenção de perdoar. Quando você dá o seu melhor mas não tem sucesso, quando você quer dormir, mas não tem sono, quando você recebe o que quer, mas não o que precisa. Vazio? Existencial? Vivencial? Tanta gente sem amor e eu pedindo por favor pra ele me salvar de mim. Freud não explica nada!!! Sábio era Sartre que soube que a maior parte das coisas que vem do outro você não muda na vida e com essa vida se constrói toda essência pertencente ao meu ser, eu sou eu e minhas circunstâncias, eu sou uma pessoa fruto da minhas transformações, eu me construo no mundo e o mundo que eu construo me constrói, Se você me conheceu há um ano atrás, permita-me apresentar novamente, estou no processo contínuo e ininterrupto de construção que só vai findar com a minha morte, e que bom que posso ser assim, posso me reconstruir, posso recomeçar sempre, aprender com meus erros e com as minhas vitórias que só fazem com que eu tenha orgulho da mulher que me tornei hoje. Sensível, porém forte, determinada mas extremamente humana, aquela dos pés descalços, que caminha beira mar, que deita na rede pra apreciar o descer da lua, que contempla as estrelas, apaixonada por café, vinhos, chocolate, Mar. Ah!!!! O Mar! Amar o Mar! Eu amo o Mar!!! Dele fiz minha eterna morada, nele deixei os meus tristes pensamentos, minhas mágoas, minhas lágrimas e de lá sai renovada, pronta para todas as flechas que vierem, como um escudo indestrutível. O fato é que: eu não sou esse escudo, sou grande parte do tempo frágil, delicada, preciso de carinho, de colo, proteção. Tal qual como agora, minha filha do outro lado do mundo decepa o dedo e eu daqui só tenho argumentos, palavras de amor e de carinho, mas o que ela quer é colo e colo de mãe, nunca passou por uma cirurgia na vida e... não estou lá. Frutos das suas escolhas que não me permitem, ou fruto da minha condição financeira que não me permite pegar um voo amanhã e encontrá-la, mas não, fruto da pandemia que requer isolamento social e suspende a maior parte dos voos. Algo simples, quero algo simples como versos que um dia eu fiz, como vento que se espalhou e trouxe seu sorriso num jardim tão perto de mim, você é tudo pra mim, eu desabo quando me calo. Cores novas sobrepondo sombras foram tatuadas em mim, uma flor, um castelo, notas musicais entre minhas costelas. Tudo pra mim! Ah!!! Quantas dores me consomem e você não está aqui, como eu te odeio na forma mais velada. E no entanto, você some com tanta insignificância que se posso te odiar um pouco mais e mais a cada dia, satisfazer tua vontade também me sacia, eu quero tudo com você.
Era pra eu falar da paixão que eu tenho pelo meu trabalho, porque até agora estou envolta aos relatórios, mas falei de mim, das minhas vivências, e tudo se mistura, então dá no mesmo
Era pra eu falar da paixão que eu tenho pelo meu trabalho, porque até agora estou envolta aos relatórios, mas falei de mim, das minhas vivências, e tudo se mistura, então dá no mesmo
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