13 de junho de 2016

17/07/2015 Incompleta

      A calada da noite fria, me deparo só comigo mesma, numa solidão assustadora. Tudo está na mais perfeita ordem, os armários impecáveis, roupas lavadas e passadas, a casa super limpa e organizada. Ligo a Tv nada me prende, resolvo ler e não consigo me concentrar, vou para a cozinha e faço um chá, escuto uma música, deito na cama e o meu teto continua estrelado, e me lembro de quando eles tinham dez e oito anos,o quarto era deles e eu toda noite contava histórias e me deitava com eles para ver esse "céu" estrelado e ficávamos eu e Thiago contando quantas estrelas haviam. Vou no quarto deles e eles não estão aqui, apenas Thadeu e Maria com a mesma idade deles, percebi como o Mundo gira e me pego assim de novo, sozinha com os pequenos e dessa vez sem a ajuda dos maiores, sem marido, sem emprego, sem muitas esperanças, com muitos sonhos, mas em vão, esperando que algo extraordinário aconteça, mesmo eu sabendo que não vai acontecer,e me cobro de todas as maneiras possíveis e imagináveis, acho que fiz tudo errado. O choro lavado embaça meus óculos, escuto uma música baixinha e muitas vezes tento ajudar as pessoas, resolvo, mostro e aponto soluções, tento salvar casamentos e a vida das pessoas e esqueço de mim, esqueço que tenho uma vida que por mais que eu lute para fazê-la valer a pena, eu sei que eu morro um pouco mais e mais a cada dia, todos os meus sentidos estão afetados, estou paralisada nas dores do momento, que me atravancam e me impedem de viver, de avançar...
     Eu desabo, quando me calo, há buracos enormes em mim, onde estão os pedaços que estão faltando, é como um quebra cabeça incompleto, como eu ficaria se encontrasse essas partes? Estaria completa? Muito mais complexo do que isso, vou encontrar essas partes?Existem partes a serem encontradas? Sou capaz de preencher esses buracos feitos, deixados ao longo de 39 anos de vida? Incompleta é uma palavra que me define muito bem, pois é assim que eu me sinto na maior parte do tempo e desordenada também, sem um rumo, sem um norte, um porto seguro.
     O que há de errado comigo? Onde foi que eu perdi as rédeas da minha vida? Onde foi que eu me perdi de mim?  Onde eu estava, no lugar errado, ao invés do certo que eu deveria estar? Há o certo e o errado? Há caminhos que não deveriam ser traçados? Há duvidas contantes, perguntas sem respostas, livre arbítrio, caminhos, direita, esquerda, sim , não, dia, noite, hoje, agora, amanhã, depois, frio, calor, praia, cachoeira, partir, ficar... Tudo são escolhas e nossas escolhas nos definem e nos moldam a todo momento

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