Vejo algumas pessoas presas em amarras sem sentido. Um relacionamento que só te leva pro buraco, uma amizade invejosa que só quer o seu mal, interesses políticos ou troca de favores...
Eu me pertenço, sou a protagonista e a condutora da minha vida, que é livre, limpa, clara. Aos meus dou todas as satisfações, ninguém paga minhas contas, muito menos as minhas dívidas,continuo só comigo mesma, com meus filhos que bagunçam a casa, entornam leite fermentado no sofá ou deixam o banheiro cheio de algas da praia rsrsrsrs Minha vida não é vazia, é cheia, turbulenta, eu diria mais triste do que feliz, por conta do peso que carrego em minhas costas, os dias são cinzentos, vez ou outra coloridos, minha alegria se resume em estar em casa preparando um atípico jantar com uma boa taça de vinho.
Ouço o barulho ensurdecedor dos vizinhos, Bia reclama, todos dormem. Um amor do passado sempre me assombra, e eu digo não. Que bom! Continuo me pertencendo!
Ouço tantas histórias das amigas... São tantas, tão absurdas, e em nada concordo, eu como sempre remando contra maré. Eles continuam... ( os vizinhos ) É GOL!!! Aqui o silêncio prevalece. Eles são uma família feliz, e eu os amo com todas as suas particularidades. Volto as amigas, todas muito mal acompanhadas, todas carentes, recalcadas, uma falando mal da outra, estar acompanhada e estar em crise? Estar acompanhada e viver brigando, na desconfiança? Estar com um e com tantos outros? Estar acompanhada e estar carente, sem forças, sem domínio, sem se pertencer... Definitivamente não é pra mim. Escolho muito? Sim! Isso não é uma urgência. Quero qualidade e não quantidade, quero paz, carinho na alma, sinceridade, companheirismo, amor e não paixão, mas acima de tudo ser livre e continuar me pertencendo.
Não preciso de gritos, brigas, falta de respeito. Tenho a paz da minha casa pelo tempo em que puder ficar, tenho a chuva fina lá fora, tenho tantos amigos, tenho tantos amores e não quero nenhum, tenho gente me deletando, como quem apaga uma escrita a lápis, já vivi tanto e estou tão cansada, mas ao mesmo tempo tenho tanto a viver. Sinto falta da Giulia, sua ausência me dói no peito, me dei conta que 5 meses se passaram desde que ela se foi, seu armário está vazio com os "restos" que ela deixou, em outros dias é como se ela se tornasse uma desconhecida pra mim. Ela se perdeu e nem se deu conta disso, é uma outra menina, uma outra mulher, moldada com o caráter inescrupuloso de quem a tomou. Onde foram parar seus parâmetros? Toda a educação, a idéia de certo e errado, as longas conversas e todas as orientações. Agora ela vive uma outra vida, um Mundo a parte do qual eu não faço parte. Não quero isso! Nunca quis isso! Queria que ela fosse independente e queria estar do lado dela aplaudindo por isso, queria de novo poder pegá-la no colo, desembaraçar os seus cabelos e fazer cosquinhas... É!!!! Infelizmente o tempo passou! A Giulia cresceu, a minha Giu Giu princesa do Oriente, a minha boneca, aquela que me ensinou a ser mãe e mulher. Não está mais comigo, não dorme mais comigo, não sei mais nada dela, e isso me dói, me dói o abismo criado por nós, me dói o choro e o soluço preso na garganta. Daqui a pouco é o Thiago quem vai, ficaremos eu , Thadeu e Bia e que futuro a vida reserva para eles? Me sinto tão fracassada como Mãe, embora saiba que o fracasso faz parte de ser uma excelente mãe. Tantos me acham um "modelo" mas ninguém sabe o quanto é difícil educar, quantas dores eu senti e sinto diariamente, os medos, dúvidas, incertezas, preocupações, quantas vezes chorei calada encharcando todo o travesseiro, quantas vezes fui para o pronto socorro de madrugada sozinha, quantos machucados foram tratados de doer a alma, quantas lágrimas enxugadas, quantos abraçados apertados, quantas crises e raivas eles sentiram todas as vezes em que eu disse não.
Estou no meu limite, estou exausta, espero tudo e no entanto nada acontece, meu corpo todo dói,a cabeça também, as lágrimas escorrem com tanta facilidade que nem as enxugo mais. Lidar com essas realidades, com a vida, com as pessoas, com o contra censo cotidiano, as diversidades gritantes, e a forte luta de egos, está me exaurindo diariamente. Tenho tanto a fazer e percebo que faço muitas coisas e não faço nada direito, continuo assim, incompleta. Eu era mais feliz dentro da caverna, quando não obtinha nem maturidade e nem conhecimento, tudo isso pesa, e as pessoas continuam como zumbis, ainda há racismo, pré conceito, discriminação, mulheres maltratadas, sem voz, sem vez, tantas Marias mortas, sufocadas, tantos talentos no anonimato, tantas Mães e mulheres que sofrem tanto quanto eu. Não quero ser mais uma na multidão. Quero um doce sussurro, quero chorar de alegria, quero meus filhos felizes, quero ser feliz. Quero o que é certo, quero o que é meu de direito, quero e vou gritar por uma sociedade mais justa, não vou me calar, não vou ser mais uma na multidão, sou e sempre serei a exceção da regra, a inusitada, a atípica, aquela que se destaca, que chama a atenção e não passa desapercebida, aquela que todos tentam compreender, copiar, imitar, e almejam SER, é apenas isso, eu me pertenço, eu sou, sou tudo aquilo de bom e mais um pouco que se espera de um ser humano, sou calmaria, mas meche com meus filhos que sou tempestade, sou sempre paz, mas também inquietação, sou sempre amor, não tenho tempo para a falta dele,sou humildade, sou caridade, lealdade, fortaleza.
Já tinha terminado, mas continuo... O atípico me fez continuar, faltou luz, apenas o som de poucos carros na rua e do teclado. Sinto meu coração bater, e ouço o som da minha respiração, vou pra varanda, esse doce silêncio da escuridão me fascina, o céu é mais bonito, está cinza, não consigo ver as estrelas, mas não chove. A luz voltou, o momento acabou, mas tudo incessantemente me transforma.
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