Tenho muita experiência em ouvir o outro, e o que as pessoas mais se queixam é da individualidade alheia. As pessoas não se dispõem mais em perder tempo com o outro, em escutar, em de fato ser amigo. Ao longo desses anos sozinha ( deixo bem claro que por opção ) passei por alguns sites de relacionamento, para de alguma forma tentar entender o universo masculino, e percebi que existem vários perfis de homens, e para cada me fiz uma "personagem" diferente para saber se a minha análise se confirmava, e realmente assim se sucedeu, cada qual agia da maneira como eu previa. As pessoas são muito previsíveis, basta estar relativamente fora do contexto para perceber as coisas, os fatos, os estímulos e respostas dados por cada indivíduo.
Sinto falta das coisas simples, sinto falta da sinceridade, da clareza, do direto. Por que fazer um circuito para conquistar, envolver o outro se nós mulheres não podemos ser as mesmas? Por que parecer a descolada, a bem resolvida, a madura, se o que somos nos rodeiam de dúvidas, incertezas e fragilidade. Quando realmente não estamos a fim, o sujeito gama, se demonstramos algum interesse o sujeito some hahahahaha o missão difícil essa arte da conquista. Difícil não! É fácil! Contanto que a mulher seja a mais maneira, engraçada, inteligente e não dê a mínima. Ah! Eu me recuso a fazer tal exercício, dá muito trabalho rsrsrrsr é melhor ficar sozinha, é melhor sair com as amigas, até porque o que eu sinto falta temo que não exista mais, são os olhares, a gentileza, os detalhes minuciosos, andar de mãos dadas, o carinho, o cuidado, a preocupação com o outro mesmo que ele(a) não seja o amor da sua vida. É triste isso, pois cada vez me convenço mais que é melhor ficar sozinha, pois não sei viver de meados, não sou morna ou mais ou menos, sou suave e calma como a brisa da manhã e intensa e radiante como o por do sol. Estou cansada de estar só e no entanto não vejo nada em ninguém pelo que, pelo qual eu me apaixone e queira estar junto, estar perto, dividir, compartilhar. A vida é tão bela e ao mesmo tempo tão ingrata, é uma linda sinfonia e a triste realidade do preconceito do Emicida, do chão ao céu, da boca ao reto... Tantos opostos, tantos avessos se completam e se destoam pelos caminhos da vida.
Despertei com uma grande chuva e apenas três horas depois o sol aparece secando o solo e reinando como se a chuva não tivesse existido. A melancolia está em mim, a desesperança não, mas uma tristeza me assalta o peito, são tantas dores que se resumem a uma só. Preciso urgentemente de momentos de felicidade, preciso construir isso, preciso dos escritos não rebuscados que tanto emergiam do meu ser, preciso de impulsos, tardes no parque, conversas afiadas, preciso da inteligência e o simples trato sútil de abrir a porta do carro, preciso estar nas alturas, meus pés cansados em solo quente não me conduzem a lugar algum por mais que eu ande e ande e ande...
Tenho falta de ar, o coração palpita, as mãos estão trêmulas e apago muitos"lixos" do meu celular, todos dormem, é domingo e eu não levantei, fui correr na chuva pra ver se a dor física ocultava a dor da alma, a dor do vazio, o coração cansado. Os passarinhos cantam e Bethoven - Sonata Claro de Luna me acalenta, o sabor do café forte, amargo, encorpado e sem açucar ainda é sobressalente em minha boca, logo tudo isso passa. A tristeza, o sabor, a sonata. Tenho encontro com as amigas, algumas delas começando uma nova fase, e a alegria momentânea será certa, para que outra vez o vazio e a tristeza oscilem para que esses momentos de escrita anômala aconteçam.
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