14 de outubro de 2015

Vazio Sepulcral

     Dentro de um Mundo, num mundo que não me pertence.
     Acho que qualquer pessoa já se sentiu assim na vida, "fora do contexto" se não, ainda há de passar por tal experiência empírica rsrsrsrs. É um exercício, em qualquer lugar em que você esteja, poder fazer essa análise e saber por que você está ali, com qual objetivo, para que?
     Hoje me ocorreu em um lugar que eu amo de paixão, minha amada praia grande.  Ao chegar na praia fui caminhando lentamente sentindo o sol queimar minha pele e a areia quente entre a sandália queimar meus pés, era pra ser aversivo, mas eu me sentia viva, feliz por ali estar, naquela vontade de sempre em eternizar o momento, caminhei para a direita, mas repentinamente resolvi ir para a esquerda, tentei ouvir o doce som da voz rouca do Zé, mas os barulhos das ondas me impediam de ouvi-lo, cheguei no canto, no início da praia e entrei no mar, minha paixão estava quente, fresca, dei apenas um mergulho que durou quase duas horas, esqueci da vida, aproveitei para cantar e colocar o papo em dia com Deus, lhe falei das minhas queixas e dos anseios do meu coração, ele é um ótimo ouvinte e me entende como ninguém, pra algumas questões tenho pressa, já para outras sou paciente e embora nada eu precisasse dizer, deixei claro, aberto, todas as minhas aflições num despojar-se de alma que sai tão leve a ponto de fazer a "tal" análise que narrarei agora. Talvez o fato de ter mudado de lugar, me fez enxergar a praia por outro ângulo, sempre fico afastada, do lado direto da praia onde é mais deserto, e por isso não há muito o que observar a minha volta, a não ser o céu e o mar, o resto acaba ficando tão distante e tão sem importância. Mas hoje caminhei em outra direção, caminhei rumo ao final, ou início não sei, sim início, lá o mar estava mais azul e mais calmo e eu queria e precisava repousar em águas tranquilas.
     Sai da água e deitei na areia quente e fina, ( mas não tão quente como a de lá de cima que queima os pés) fiquei alguns minutos apreciando o céu, as nuvens estavam lindas, o céu estava lindo, o sol estava no cume, sentei e olhei ao meu redor, ao longe haviam muitas famílias tradicionais (pai, mãe, filhos) atrás de mim no pé do morro dois rapazes fumavam um "baseado" o cheiro era eminente, uma moça do outro lado ressequia ao sol, todos com a plena certeza, acredito eu, com os olhos de quem vê, de que ali era o melhor lugar a se estar, e embora eu não quisesse ir embora, também não conseguia me encontrar ali, assim como em tantos outros lugares que vou, e aquele "vazio sepulcral" me assola, me assombra e me impede de estar plena. Vivo na busca incessante de ser, de fazer acontecer, de ter que dar conta, de seres a educar, de horários, prazos, metas, provas, trabalhos e tantos me cobram, me cercam, me rodeiam, desabafam, se lamentam e eu? Volto pra casa abatida, desencantada da vida... Preciso ser amada, preciso ser cuidada, paparicada, preciso de um Norte, um Porto Seguro, um alento, um carinho, um dengo, um cafuné... Preciso da simples certeza de saber que eu tenho alguém em confiar, embora eu tenho a tantos, me falta você, falta um alguém que eu sei quem é e ao mesmo tempo não sei quem. Alguém pra me fazer sorrir, alguém para me abraçar, pra deitar nos seus ombros e conversar. Enquanto isso a vida passa, engano as aparentes tristezas e mergulho no vazio existente,e por mais que a caverna seja escura e longa, nem o meu pequeno vasto conhecimento complexo é capaz de me livrar dela.
     Pode parecer pesado usar a expressão " vazio sepulcral" mas pior do que a morte de fato, é a triste certeza de se estar "morta" em pleno exercício da vida.


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