Uma nostalgia, uma saudade e um frio que o sol não pode aquecer... Vou na rua, paro na Passagem meu recanto preferido quando estou assim. Faz frio, muito frio e estou sem casaco, mas o doce som das águas tranquilas permanece tão gostoso que não quero ir embora. Estou sem voz, terrivelmente gripada e literalmente sem voz, culpa da noite passada, cabelos molhados, o ar forte do studio, a chuva, o vinho com as amigas e dançar e cantar bem alto me trouxeram tanta felicidade que ficar assim não foi nada.
Acordei com uma noticia boa, um comentário lindo, mas não o suficiente para me trazer paz, pra me dar certezas... Ahhhh vida!!! Quero sempre e tanto e mais de você! Porque você não me deixa sair da montanha russa e dirigir por estradas tranquilas??? Não quero rio com corredeiras, quero as aguas cristalinas da Praia Grande, quero flutuar nela e contemplar o céu enquanto o sol sutilmente me aquece. Quero me olhar no espelho e ter a certeza que sou linda, mais do que isso, que sou feliz, que sou amada, que todos estão bem... Você dificilmente me dá uma trégua e meu corpo padece. As minhas histórias... A minha vida traduzida num livro de dores e emoções, mas de detalhes lindos minuciosos nesses decorrentes 38 anos. Não me considero melhor do que ninguém, mas sei que tal ser com a alma tão linda e sensível está em extinção.
Quero isso ficar assim, olhando pro canal, sentindo o frio arrepiando minha pele enquanto o sol que queima as minhas costas é incapaz de me aquecer, quero a serenidade das arvores lindas do outro lado da margem, mas não a sua tenra solidão, quero a imensidão do azul deste céu, quero o lindo voo das gaivotas, quero as nuvens no céu, os peixes a pular vez o outra, quero a alegria dos meninos no outro deck. Quero você aqui comigo a me acarinhar a bagunçar o meu cabelo... Quero você quem quer que você seja, cansei de estar só, preciso dividir as tristezas, multiplicar as alegrias, rir de doer a barriga e fitar o outro, receber ligações, visitas, surpresas... Quero tanto e ao mesmo tempo quero nada, tenho nada, tenho tantos, tenho ninguém, tem uma infinidade complexa, tem um vazio exato, tem rima, tem prosa, falta vida, falta "aquela" pessoa, capaz de me fazer suspirar, de sentir amor, de conversar, de fazer planos, viagens, sonhos...
Cansei! Deito no deck olho pro ceu e continuo a escrever, nada me importa aqui, me incomoda ou me tira o centro. Tudo é tão intenso... As muitas mensagens frias do zap chegam, depois vejo, se quiser respondo, ou melhor ligo, é mais pessoal escutar o som da voz, é mais terno, é mais carinhoso saber a entonação dela, se está triste, alegre, distante, preocupado...
Tanta gente só, tanta gente procurando um alguém, tanta vida a ser vivida e o outro quer tudo pronto, não quer perder tempo, não quer se moldar, se entrelaçar, por medo de sofrer. Vivemos no iceberg da solidão, por medo da vida, do passado, do futuro, tudo nos escapa, nada temos, nada somos, nada fazemos a não ser deixarmos nos conduzir, e esquecemos que este trem sempre precisou de um condutor, dos trilhos, dos vagões, das pessoas, da rota, para prosseguir no grande desafio chamado vida.



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